O jornalismo e a falta de conhecimento

Publicado em   30/abr/2011
por  Caio Hostilio

Hoje (30), estive num almoço com o vice-governador Washington Oliveira, o deputado federal Chiquinho Escórcio e diversos jornalistas. Como participavam políticos, o assunto não poderia ser diferente: “política”.

Contudo, observa-se que uma das grandes falhas do jornalismo não está pautada na dificuldade de escrever um texto, mas sim na falta de conhecimentos sobre o assunto em questão, com isso passam informações distorcidas, sem critério técnico e dentro daquilo que a linha editorial precisa para se manter economicamente com os seus financiadores.

Essas informações são vistas pela maioria dos leitores, principalmente aqueles que conhecem o fato em discussão, como desinformação e falta de conhecimento do repórter.

Na verdade, o jornalismo brasileiro vive hoje uma crise ética muito especial. Mais do que a incidência de desvios éticos pronunciados, a característica dessa crise é o vazio ético. Nas redações, deu-se uma rendição generalizada aos ditames mercantilistas ou ideológicos dos proprietários dos meios de informação. A liberdade de informar e o direito de ser informado, canonizados na Declaração Universal dos Direitos do Homem e erigidos em ideologia dos códigos de ética jornalística nos mais diversos países, tornaram-se letra morta.

Não por acaso, esse novo ambiente ético no jornalismo é adequado aos valores do neoliberalismo econômico e foi instrumental ao seu processo de implantação. Nesse sentido é um equívoco considerar o vazio ético das redações uma disfunção do jornalismo. Ele existe porque tem uma função. E resulta de um embate ideológico que se dá além da esfera estrita da comunicação, um embate entre propostas divergentes de civilização e de organização. Portanto, não cobrem o que não existe: a imparcialidade.  

Por outro lado, o nível intelectual da maioria dos jornalistas está aquém das expectativas, principalmente no que tange os princípios e os ditames do serviço público, as dificuldades e anseios na Educação, Saúde, investimentos, logística e segurança pública. Diante disso, o leitor é obrigado a ler matérias pautadas dentro do senso comum, das baixarias, sem conhecimento do assunto que falam. É lamentável o que está ocorrendo, mesmo sabendo que não existe a imparcialidade. É muito triste, mas é mais triste ainda ver gente como tem repórteres que se sujeitam a criar factóides que estão totalmente fora dos princípios legais das leis, mas esperam que os órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público e TCE dêem credibilidade às baboseiras delatadas sem nenhuma consistência que dê parâmetros para uma investigação.

Sei que não sou jornalista, mas tenho senso crítico e questionador sobre o assunto, por isso me dou o direito de falar sobre as falácias do jornalismo, isso porque o vivencio todos os dias. Muitos amigos dizem sempre o seguinte: “Não dou um níquel por esses jornais, porque sei que o sucesso deles não depende única e exclusivamente de mim, mas não vou jogar meu dinheiro fora para ler mentiras ou histórias manipuladas, prefiro ler um livro como Harry Potter ao invés disso, e se você não gosta de ser palhaço, aconselho fazer o mesmo.

O certo é que já se tornou alérgico ao mau jornalismo, à manipulação desonesta da informação. Por isso, as grandes empresas quando querem praticar o jornalismo desonesto, mandam repórteres jovens, que ainda não acumularam conhecimento, que não têm memória histórica. Certamente o saber pode ser um valor central a numa nova ética porque ele tem essa característica de tornar seu portador naturalmente resistente à desonestidade intelectual e à manipulação.

Sabendo disso, os políticos – que na maioria também desconhecem os ditames dos serviços públicos -, aproveitam para vender, através desses jornalistas desconhecedores dos assuntos em questão, suas idéias mirabolantes, seus desconhecimentos da coisa pública, suas hipocrisias politiqueiras, como se tudo fossem a mais pura verdade.

Por isso, é importante o leitor ler, ouvir e assistir diversos meios de informações e, assim, poder mensurar dentro do seu conhecimento científico o que de fato está ocorrendo.

  Publicado em: Governo

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