Vamos abrir a caixa preta da área de suprimento!!!

Publicado em   21/mar/2012
por  Caio Hostilio

A corrupção nessa área é de cima pra baixo, de baixo pra cima, entre empresários, entre vendedores e compradores, entregadores e almoxarifes e sistema de pagamento.

Quem foi que disse que para fraudar é preciso dispensar licitação? Isso é não conhecer nada da área de suprimento.

Tanto faz ser uma Dispensa de Licitação, uma Carta Convite, uma Tomada de Preço ou uma Concorrência Pública. Todas são passivas de fraude e de fácil manipulação.

A dispensa de Licitação e a Carta Convite, que são preços menores são negociadas com os compradores e seus chefes nem ligam, visto que as propinas são merrecas.

Deputado Marcelo Tavares, V. Exª sabia que uma Carta Convite tinha que ser publicada em jornais de grande circulação? Garanto que não!!! E que quando V. Exª foi Presidente da Assembléia não publicou uma Carta Convite sequer num jornal de grande circulação? Mas não se preocupe, visto que nenhum órgão público por todo o Brasil respeita essa regra!!!

A Tomada de Preço e a Concorrência Pública são fáceis de negociações… Aí entram os lobistas!!! Que chegam dizem onde jornais de publicação dos editais, o dia da publicação do Diário Oficial… As grandes empresas sabem quem vai ganhar e qual licitação estará reservada para ela.  

Reportagem simulou licitações com quatro fornecedoras do governo federal, no Rio de Janeiro, com o conhecimento do diretor e do vice-diretor do hospital pediátrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cujo repórter fingiu ser gestor de compras da instituição, pôde acompanhar livremente todas as negociações e contratações de serviços.

No esquema flagrado pelo Fantástico, no entanto, as empresas fornecedoras se unem para fraudar a disputa. A que quer ganhar paga uma porcentagem do total do contrato para as demais — que entram na concorrência com orçamentos mais altos. Ou seja, entram para perder.

Uma locadora de veículos, foi convidada para a licitação de aluguel de quatro ambulâncias. “Cinco. Cinco por cento. Quanto você quer?”, pergunta de imediato o gerente. Falando em um código em que a palavra camisas se refere à porcentagem desviada, ele aumenta a propina. “Dez camisa [sic], então? Dez camisa?.

O presidente do conselho da locadora garante que o golpe é seguro e o pagamento é realizado em dinheiro ou até mesmo em caixas de uísque e vinho. A empresa ganharia R$ 1.680 milhão pelo contrato. Eu vou colocar o meu custo, você vai falar assim: ‘Bota tantos por cento’. A margem, hoje em dia, fica entre 15% e 20%, explicam o diretor e o gerente de uma empresa convidada para a licitação de coleta de lixo hospitalar. Nós temos hoje, aproximadamente, três mil clientes nessa área de coleta, afirmam.

Para esconder a fraude da fiscalização, o dinheiro do suborno é espalhado por vários itens da proposta vencedora. O dono da empresa de jardinagem e vigilância diz à reportagem que está acostumado a fraudar licitações, e a gerente comenta que o fraude é ética de mercado. No mercado, a gente vive nisso. Eu falo contigo que eu trago as pessoas corretas. Eu não quero vigarista, não quero nunca.

Vamos para parte do recebimento. A maioria dos órgãos públicos e privados brasileiros não conseguem administrar e ter um controle eficiente de estoque, onde realmente podemos ter a concepção correta de consumo médio mensal, estoque máximo, estoque mínimo, estoque de segurança e, principalmente, uma percepção de curva “ABC”, além do desperdício por falta do uso adequado do sistema de armazenagem PEPS.

Talvez aí esteja um dos maiores desvios do dinheiro público… Vou dá um exemplo simples de como se rouba fácil e tudo fica corretamente até o dia do inventário – isso quando o órgão cumpre com essa prerrogativa duas vezes por ano, tanto nos materiais de consumo quanto nos bens patrimoniais -, É disparado uma compra de 100 mil peças canetas esferográficas. O almoxarife entra em acordo com o dono da empresa para que ele entregue apenas 50 mil canetas e fature as 100 mil. O almoxarife atesta a nota fiscal e manda para pagamento. O dinheiro das 50 mil canetas não entregues é dividido entre o dono da empresa e o almoxarife. Ele depois começa a baixar essas canetas através das requisições de materiais dos mais diversos setores do órgão até que o estoque físico fique em consonância com o saldo controlado. Até hoje o único roubo descoberto dessa forma foi em Brasília, exatamente do chefe do Almoxarifado do Hospital de Base de Brasília, que chegou a comprar uma Casa no Lago Sul.

O setor de financeiro implica na data do pagamento… Muitos empresários nunca deixam de saltar uma propina gorda para que seus pagamentos sejam priorizados, principalmente nos meses de novembro e dezembro, pois o maior medo é o de ficar em restos a pagar…

O Pregão Eletrônico veio para amenizar muito dos vícios… Se não me falha a memória, isso aconteceu nos idos do final dos 90 para 2000, pelo setor telecomunicações, cujo resultado foi um alvoroço entre as empresas que prestavam serviço para a ANATEL… Cortaram-se vários vícios na compra!!!

  Publicado em: Governo

2 Responses to Vamos abrir a caixa preta da área de suprimento!!!

  1. Paulo Cesar disse:

    Caro caio vamos convir que essa onda de “não licitar” do estado ta saltando aos olhos.

    • Caio Hostilio disse:

      Como não licitar? tudo é licitado, isso nas modalidades citadas… Não se pode confundir dispensa de licitação com “sem licitação”.

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