MINHA EXPERIÊNCIA COM O COVID-19

Publicado em   01/ago/2020
por  Caio Hostilio

Por Érico Cantanhede
Lembrando do início da pandemia do vírus chinês quando no final de março praticante o país parou em todos os sentidos e os atendimentos na área da saúde foram voltados exclusivamente para o atendimento dos pacientes com os sintomas do covid-19, sendo que nos  socorrões não fora diferente, embora no início tentou-se blindar esses hospitais sem êxito a contento pois sendo estes de portas abertas seria uma tarefa humanamente impossível.
Como Coordenador da Clínica Cirúrgica do Socorrão I, continuamos na rotina de operar pacientes, acompanhar visitas, responder pareceres, pois a urgência e a emergência cirúrgica diminuiu, porém não deu trégua e nessa linha de frente dos atendimentos, pois todo paciente que adentra num hospital era suspeito de covid-19, foi que no final do mês de abril iniciaram-se alguns sintomas como perda total do apetite, cefaleia intensa, cervicalgia, sintomas gastrointestinais, astenia e sintomas gripais, onde logo no primeiro dia comuniquei à direção do hospital do meu quadro clínico e fui logo afastado das minas funções e onde o serviço telemedicina para os funcionários acometidos coordenado pelo Dr. Luís Alfredo que iniciou meu monitoramento diuturnamente, qual saúdo toda a equipe, sendo de importância capital na minha condução e recuperação.
Difícil mesmo naquele momento foi nos afastarmos literalmente das minhas filhas, pois minha esposa a Dra. Keila Matos também apresentava alguns sintomas e como somos muito próximos e presentes foi um tanto quanto dolorido, porém era para o bem delas, assim como comunicar a meus pais principalmente por serem idosos e não ficarem mais preocupados ainda.
De início segui os protocolos de medicamentos para a fase I, preocupado logicamente pois tenho algumas co-morbidades, porém em nenhum momento perdi a minha fé e a esperança de que eu teria uma evolução satisfatória sem complicações o que de fato graças a Deus aconteceu.
Todos os dias no final da manhã e da tarde os condôminos do meu condomínio iniciaram um grupo de orações onde através de um microfone orávamos e recitávamos passagens bíblicas sendo de importância fundamental para a manutenção da nossa fé e equilíbrio que contagiou nosso logradouro por inteiro e perdurou por cerca de 90 dias.
Lembro que numa madrugada de segunda feira, por volta das 04h, acordei e não consegui mais dormir onde me veio à mente a imagem e a lembrança de amigos e conhecidos que pereceram devido ao vírus chinês e com os olhos cheios de lágrimas me pus de joelhos e fiz uma prece do fundo da minha alma onde supliquei a Deus e à Nossa Senhora que vestisse a todos com seus mantos, os que haviam sucumbido mortalmente, a todos os que se encontravam enfermos e suas famílias, a todos os profissionais da linha de enfrentamento, e principalmente para os nossos gestores para que fossem iluminadas suas atitudes perante a nação, enfim orei por paz e cura a todo o planeta, o que me fez adormecer em oração já com os primeiros raios da aurora e onde lembro que acordei posteriormente bem melhor.
Mesmo afastado das minhas atividades nesse período procurei estudar muito sobre política, geopolítica, história da humanidade além de me colocar a disposição para consultar, tirar dúvidas e prescrever pessoas através do aplicativo Whatsapp o que foi deveras gratificante.
Meu sentimento maior é de gratidão a Deus e a todas as orações e emanações positivas por não termos piorado, termos feito o tratamento domiciliar sem precisar de internação hospitalar, haja vista a quantidade enorme de amigos e conhecidos que complicaram e sucumbiram nessa pandemia, onde quando penso neles meus olhos margeiam em lágrimas como agora, e penso do fundo do meu coração – obrigado meus Deus, pela minha família e por estarmos vivos.
Acredito que tudo isso vai passar pois está factualmente passando e todos nós assim como eu particularmente iremos evoluir como uma fortaleza solidificada por Deus para os demais enfrentamentos dessa vida.
Para encerrar lembrei de uma pergunta do DJ Claudinho Polary numa enquete quando perguntado “O que você irá fazer quando a pandemia passar?”, onde lembro que respondi
– vou na casa dos meus pais tomar um café com eles. Acreditem que foi o melhor café que tomei na minha vida.
Obrigado… obrigado e obrigado.

  Publicado em: Política

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