Disputa por gabinetes marca o início da nova legislatura no Congresso

Publicado em   01/fev/2019
por  Caio Hostilio

Senadores e deputados começaram o mandato tentando garantir os melhores gabinetes. Mas o ímpeto dos novatos esbarrou em velhos hábitos de políticos

Troca de Gabinetes na Camara dos Deputados (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press )
Troca de Gabinetes na Camara dos Deputados
Mais da metade dos deputados e senadores eleitos em outubro nunca ocuparam cargos públicos na administração federal. Os parlamentares, que tomam posse hoje, serão auxiliados por dezenas de assessores (até 55) e terão direito a motorista e segurança. No Congresso, têm à disposição, também, uma estrutura que inclui barbearia, centro médico e até salas de terapia (veja arte).

Senadores e deputados começaram o mandato tentando garantir os melhores gabinetes. Mas o ímpeto dos novatos esbarrou em velhos hábitos de políticos, criando desgaste entre colegas de plenário e de partido antes mesmo da largada.

A primeira confusão ocorreu na disputa por gabinetes, um sorteio cheio de regalias, que prioriza parlamentares com parentes na política, partidos proeminentes e uma ou duas minorias.

Filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) não teve dificuldade para se instalar no prestigiado gabinete do 17º andar, no anexo 1. O dono era o ex-presidente da Casa, Eunício Oliveira (MDB-CE), que cedeu a um pedido do suplente de Flávio, Paulo Marinho (PSL-SP).

Eunício, no entanto, não facilitou a vida de todos os senadores. Disse que teria de aprovar as mudanças enquanto estivesse na Presidência da Casa. Recusou-se a liberar, por exemplo, a ampla sala usada por Flexa Ribeiro (PSDB-PA) a Antonio Anastasia (PSDB-MG). O mineiro queria ficar no gabinete 51, que engloba dois escritórios e um jardim de inverno, mas acabou permanecendo no gabinete 23. Nessa disputa, descobriu-se que, há anos, o gabinete vizinho, de número 25, havia engolido a sala 24.

A numeração exposta não segue a sequência lógica. “Não teve jeito. Tiramos na última legislatura. O número é associado ao veado no jogo do bicho e usado para discriminar homossexuais. Não queriam a sala”, disse um integrante da diretoria-geral do Senado.

Na Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) ocuparão gabinetes considerados privilegiados em função da proximidade com o plenário. Eles são os únicos entre os 513 parlamentares que conseguiram salas no edifício principal da Câmara, além do presidente e do vice. Joice Hasselmann (PSL-SP) acabou ficando com o escritório que pertenceu ao ex-deputado Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Benefícios

A Câmara e o Senado pagaram R$ 20 milhões para 298 parlamentares reeleitos em outubro, como ajuda de custo para início e fim de mandato. O benefício, conhecido como auxílio-mudança, foi repassado até para parlamentares que têm residência em Brasília e não pretendiam se mudar. Entre os privilégios do cargo estão também auxílio-moradia, auxílio-paletó, motorista com carro disponível 24h, verba de gabinete de mais de R$ 100 mil mensais, plano de saúde, passaporte diplomático, assessores e, se necessário, seguranças.

  Publicado em: Governo

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