O que estão fazendo com a educação!!! Pesquisador afirma que estrutura das escolas adoece professores

Publicado em   12/fev/2013
por  Caio Hostilio

ControVérsia

6dirdoj6eoydw9nellpol5m34“O ambiente escolar me dá fobia, taquicardia, ânsia de vômito. Até os enfeites das paredes me dão nervoso. E eu era a pessoa que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que não conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu não conseguia me sentir responsável por nenhuma criança. E eu sempre tive muita paciência, mas me esgotei.”

O relato é da professora Luciana Damasceno Gonçalves, de 39 anos. Pedagoga, especialista em psicopedagogia há 15 anos, Luciana é um exemplo entre milhares de professores que, todos os dias e há anos, se afastam das salas de aula e desistem da profissão por terem adoecido em suas rotinas.

Para o pesquisador Danilo Ferreira de Camargo, o adoecimento desses profissionais mostra o quanto o cotidiano de professores e alunos nos colégios é “insuportável”. “Eles revelam, mesmo que de forma oblíqua e trágica, o contraste entre as abstrações de nossas utopias pedagógicas e a prática muitas vezes intolerável do cotidiano escolar”, afirma.

O tema foi estudado pelo historiador por quatro anos, durante mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Na dissertação O abolicionismo escolar: reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores, Camargo analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos que tratavam do adoecimento de professores.

Camargo percebeu que a “epidemia” de doenças ocupacionais dos docentes foi estudada sempre sob o ponto de vista médico. “Tentei mapear o problema do adoecimento e da deserção dos professores não pela via da vitimização, mas pela forma como esses problemas estão ligados à forma naturalizada e invariável da forma escolar na modernidade”, diz.

Luciana começou a adoecer em 2007 e está há dois anos afastada. Espera não ser colocada de volta em um colégio. “Tenho um laudo dizendo que eu não conseguiria mais trabalhar em escola. Eu não sei o que vão fazer comigo. Mas, como essa não é uma doença visível, sou discriminada”, conta. A professora critica a falta de apoio para os docentes nas escolas.

“Me sentia remando contra a maré. Eu gostava do que fazia, era boa profissional, mas não conseguia mudar o que estava errado. A escola ficou ultrapassada, não atrai os alunos. Eles só estão lá por obrigação e os pais delegam todas as responsabilidades de educar os filhos à escola. Tudo isso me angustiava muito”, diz.

Viver sem escola: é possível?

Orientado pelo professor Julio Roberto Groppa Aquino, com base nas análises de Michel Foucault sobre as instituições disciplinares e os jogos de poder e resistência, Camargo questiona a existência das escolas como instituição inabalável. A discussão proposta por ele trata de um novo olhar sobre a educação, um conceito chamado abolicionismo escolar.

“Criticamos quase tudo na escola (alunos, professores, conteúdos, gestores, políticos) e, ao mesmo tempo, desejamos mais escolas, mais professores, mais alunos, mais conteúdos e disciplinas. Nenhuma reforma modificou a rotina do cotidiano escolar: todos os dias, uma legião de crianças é confinada por algumas (ou muitas) horas em salas de aula sob a supervisão de um professor para que possam ocupar o tempo e aprender alguma coisa, pouco importa a variação moral dos conteúdos e das estratégias didático-metodológicas de ensino”, pondera.

Ele ressalta que essa “não é mais uma agenda política para trazer salvação definitiva” aos problemas escolares. É uma crítica às inúmeras tentativas de reformular a escola, mantendo-a da mesma forma. “A minha questão é outra: será possível não mais tentar resolver os problemas da escola, mas compreender a existência da escola como um grave problema político?”, provoca.

Na opinião do pesquisador, “as mazelas da escola são rentáveis e parecem se proliferar na mesma medida em que proliferam diagnósticos e prognósticos para uma possível cura”.

Problemas partilhados

Suzimeri Almeida da Silva, 44 anos, se tornou professora de Ciências e Biologia em 1990. Em 2011, no entanto, chegou ao seu limite. Hoje, conseguiu ser realocada em um laboratório de ciências. “Se eu for obrigada a voltar para uma sala de aula, não vou dar conta. Não tenho mais estrutura psiquiátrica para isso”, conta a carioca.

Ela concorda que a estrutura escolar adoece os profissionais. Além das doenças físicas – ela desenvolveu rinite alérgica por causa do giz e inúmeros calos nas cordas vocais –, Suzimeri diz que o ambiente provoca doenças psicológicas. Ela, que cuida de uma depressão, também reclama da falta de apoio das famílias e dos gestores aos professores.

“O professor é culpado de tudo, não é valorizado. Muitas crianças chegam cheias de problemas emocionais, sociais. Você vê tudo errado, quer ajudar, mas não consegue. Eu pensava: eu não sou psicóloga, não sou assistente social. O que eu estou fazendo aqui?”, lamenta.

  Publicado em: Governo

8 Responses to O que estão fazendo com a educação!!! Pesquisador afirma que estrutura das escolas adoece professores

  1. Antonio Lima disse:

    Professor, a situação de muitas escolas é de calamidade dadas as condições físicas do ambiente das salas de aula, dos espaços de vivência, dos ginásios, onde muitos foram construídos sem levar em conta as condições do meio, do público alvo e do clima de cada região.
    Muito se fala em evasão escolar, em baixo rendimento, em desinteresse pelo aprendizado e todas essas mazelas que torna a nossa educação um fracasso, mas poucos se dão ao trabalho de identificar e atacar as reais causas desse grave problema, ficando os profissionais que lidam no dia-a-dia com a classe estudantil com ônus da culpa por tudo o que acontece de ruim nesse meio, sem que os burocratas tomem as decisões adequadas e ofereça as condições mínimas para se fazer um bom trabalho e os alunos aprendo, despertem interesse pelo conhecimento e obtenham o rendimento que se espera.
    Vou relatar umas tristes experiências que tive ao ter que ficar por um curto período dentro dessas masmorras que os nossos governantes nos oferecem com o nome de sala de aula: Tenho o habito de me inscrever nestes “concursos”, que de vez em quanto são feitos pelas prefeituras e órgãos dos governos. Invariavelmente, nessas incursões eu fiz provas em salas que não oferecem as mínimas condições para que um indivíduo possa ter o mínimo de aprendizado, pois são ambientes fechados, mal iluminados, sem ventilação, com cadeiras sem o mínimo de conforto, isto que não são quebradas, cheias de pregos e de tamanho incompatível para os que fazem uso daquelas unidades, onde muitas salas são cercadas de mato, cheias goteiras e em péssimo estado de conservação e higiene -banheiros então, nem se fala.
    Em Bacabal fiz uma prova numa escola que leva o nome de um dos filhos mais ilustre dessa Terra, que é a “Escola José Sarney”, e lá tive que ouvir calado as reclamações e as falas de alguns candidatos que vieram do Piauí, do Ceará e de vários outras unidades da Federação, que muito reclamavam das péssimas condições de abandono em que se encontra aquela unidade de ensino, onde um piauiense disse que em seu Estado uma sala como aquela “não seria usada nem para criação de animais – porcos”.
    Em Lima Campus tive que apressar o passo, pois a sala mais parecia uma sauna e teve candidatos que desmaiaram, na minha sala inclusive, uma senhora e uma jovem não resistiram a pressão emocional e, ao calor insuportável e perderam a consciência.
    A saga não se resume só a estes dois exemplos, pois em todos os prédios públicos onde se oferecem educação para a população esses problemas existem, uns mais e outros menos, mais via de regra essa é uma marca predominante, onde salas de aula não oferecem as mínimas condições para um atendimento digno e os alunos possam ter uma aprendizado dentro dos parâmetros que se espera.
    Quem convive e conhece a realidade e a condições físicas das nossas escolas sabem exatamente do que eu estou falando, e é triste saber que as nossas autoridades não veem essa problemática como um entrave para um bom aprendizado e um problemas a ser resolvido, ficando eles na naquela velha e conhecida zona de conforte e quando algum questionamento é feito aos mandatários, logo eles atribuem aos professores toda a culpa pelo fracasso da educação.

    • Caio Hostilio disse:

      O grande problema da educação está na falta de definição de uma linha pedagógica que realmente estimule tanto o corpo docente como o discente, além da valorização do professor, coisa que a atual LDB deixou de debater e os tecnocratas se limitaram a achar que tudo se retringe a infraestrutura… Ledo engano!!! Escola tem que ter prazer em ensinar e aprender!!!

  2. Telêmaco disse:

    Eu queria que esse engenheiro Pedro Fernandes,secretário de enfeite de deseducação,fosse na escola em que matrículei minha filha,no colégio Coelho Neto.na ivar saldanha,que nem ventilador tem nas salas de aulas tipo sauna,quadra de esportes sem a mínima estrutura.enfim,um cúbiculo com apenas um portaozinho de entrada, sem ao menos, um extintor de incêndio e uma esculhambacao geral nessa escola e em outras de nível médio da capital.
    Esse Pedro Fernandes ao menos deveria mandar seu assessor Sampaio,ir verificar in loco a situação real dessa escola que já foi referência no ensino profissionalizante,e que foi retirado ao arrepio da comunidade escolar.

    • Caio Hostilio disse:

      É… Seria providencial que fizessem isso em todas as escolas públicas e até particulares desse país, além de dar condições de ensino/aprendizagem, pois esse sim é fator mais importante.

  3. Jr disse:

    Telemaco, sou professor de duas escolas públicas e coordenador em uma, fizemos todos esses pedidos que pelo menos fosse colocado/reparado os ventiladores, mesas carteiras etc. Passou uma comissão nas escolas fazendo esse levantamento, o ano começou e nda foi feito! Só que é gestor sabe da mágica que é gerir uma escola pública, se nos fosse dado condições de trabalho com certeza nosso trabalho seria mais proveitoso, outra coisa é a carga horária do professor, queria que nosso amigo blogueiro e professor Caio investigasse qual será o valor da hora aula dada aos professores que estão acima das 13 horas e se realmente será pago essas horas extras. abraços fraternos!

    • Caio Hostilio disse:

      Um dos maiores desvios está no PDDE. As verbas do FNDE ninguém sabe ninguém viu, seja o PDDE, PDE, merenda escolar, transporte escolar. Sobre o fundeb, são poucos os que sabem que todos os municipios e o estado receberam um complemento nesse mês de janeiro. Apenas nove estados recebem. Você sabe qual foi o único prefeito que realmente pagava o 14º e 15º salários aos professores? Foi Luis Fernando em São José de Ribamar. Sobre a hora aula de professores acima de 13 horas não pode existir numa mesma escola, caso isso esteja acontecendo, está completamente errado.

  4. Jr disse:

    Isso foi colocado esse ano pela seduc, todos os professores no mapeamento que ficaram acima das 13 horas irão receber pagamento de aulas extras, só que ñ sabemos o valor dessas hrs extras!?!!??

    • Caio Hostilio disse:

      Não sei como foi acertado isso. Nesse caso deve ser pago como GAM, em minha opinião, mas não sei qual será o critério a ser adotado, pois ainda tem que entrar a gratificação extra classe.

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