E aí, qual é a desculpa? Todos os professores foram formados no Maranhão? Brasil fica em penúltimo lugar em ranking de qualidade de educação

Publicado em   28/nov/2012
por  Caio Hostilio

Por Günter Zibell – SP

O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores. A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países.

Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong. Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.

Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados.

Para Michael Barber, consultor-chefe da Pearson, as nações que figuram no topo da lista valorizam seus professores e colocam em prática uma cultura de boa educação.

Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.

Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.

“A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa sistema de avaliação europeu do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos”.

No ranking da EIU-Person, por exemplo, os alemães figuram em 15º lugar. Em comparação, a Grã-Bretanha fica em 6º, seguida da Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Austrália e Polônia.

Cultura e impactos econômicos

Tidas como “super potências” da educação, a Finlândia e a Coreia do Sul dominam o ranking, e na sequência figura uma lista de destaques asiáticos, como Hong Kong, Japão e Cingapura.

Alemanha, Estados Unidso e França estão em grupo intermediário, e Brasil, México e Indonésia integram os mais baixos. O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual.

Mas o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de “Curva do Aprendizado”. Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira “cultura” nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo.

Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking. Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.

Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um “valor moral” concedido à educação muito parecido.

O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários.

Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais.

  Publicado em: Governo

12 Responses to E aí, qual é a desculpa? Todos os professores foram formados no Maranhão? Brasil fica em penúltimo lugar em ranking de qualidade de educação

  1. Antônio Augusto disse:

    Sinceramente, não entendi as perguntas do título! “qual a desculpa?!” Espero que esta pergunta esteja direcionada ao Governo do Estado, que há quase um século contribui para esse cenário, bem como ao Governo Federal, que nada faz para revertê-lo!
    Abraço.

    • Caio Hostilio disse:

      É mesmo? Mas não é sempre o Maranhão o culpado por tudo e a terra arrasada? Por que o governo federal? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK… Ficou sem resposta.

      • Sostenes Rhilton disse:

        Leitor assiduo deste blog!!! Mesmo se nao estivesse no titulo a pergunta “qual é a desculpa??”,o Antonio Augusto e nao sei mais quantos, citariam termos: oligarguia, Roseana e bla bla bla.
        Realmente o povo maranhense precisa urgentemente de um psicologo!!

  2. Antônio Augusto disse:

    Caro Prof. Caio Hostílio, frequento seu blog diariamente e sempre que acho conveniente faço algum comentário. Porém, estou com uma dificuldade imensa de entender o que você quis dizer com o texto – minto, até entendo o texto, só o título que me parece confuso – desculpa minha ignorância, acho que não entrei em ressonância com o eu lírico. Afinal, o texto isenta alguém de culpa? e se isenta, quem seria? novamente peço desculpas pela minha ignorância, deve ser reflexo da educação que me foi dada neste Estado.
    abraço.

    • Caio Hostilio disse:

      Meu amigo, tudo aqui no Maranhão mensuram sempre para o lado politiqueiro. O resultado do ENEM foi dessa forma, isso sem nenhum critério de conhecimento em educação. Gostam de colocar esse estado como terra arrasada. O pior em tudo!!! Simplesmente não sabem analisar nada sobre o ENEM, que mensurou tanto as escolas públicas estaduais quanto as particulares maranhenses por baixo, assim como dos outros estados. A média máxima alcançada foi 7. A nota média das escolas brasileiras ficaram entre 4 e 3, mostrando, com isso, que a didática utilizada por diversas escolas para o ensino/aprendizagem não correspondem aos critérios usados nas avaliações do ENEM. O certo é que a educação brasileira se perdeu desde que foi implantada a lei 5692/71. A LDB 9394/96 apenas se importou com o controle financeiro e dividiu a educação completamente errada, ou seja, responsabilizou os municípios pela base: a educação infantil (responsável pela alfabetização) e pela educação fundamental. Agora, tenta colocar nos eixos através de um programa que envolve as três esferas governamentais. Mas a politicalha no Maranhão não ver nada disso, por isso o título.

      • Antônio Augusto disse:

        Tá, deixa eu ver se entendi: tu concordas que a educação no Maranhão e no Brasil são de péssima qualidade, porém, preferes botar a culpa em um “sistema” – ser abstrato, incapaz de se defender de acusações – ao invés de dizer que o Governo Federal tem sua parcela de culpa, o Governo Municipal tem sua parcela de culpa e também o GOVERNO ESTADUAL tem sua parcela de culpa, e esse último, meu querido, como está a quase meio século no poder participou de forma concreta nesta abstração que chamamos de “sistema”. Assim, não é “politicalha” nenhuma afirmar que a educação no Maranhão está uma droga (isso se comparada a nível nacional, pois a nível mundial ela nem existe) muito graças ao atual Governo que nada faz para mudar tal situação.
        Permita-me uma última pergunta: você está satisfeito com a educação no Maranhão? (se quiser pode estender a resposta para os campos da saúde, segurança, moradia, saneamento básico, agricultura, industria, transporte, emprego, níveis de corrupção… fazendo um link com a expressão “terra arrasada”)
        Abraço!

        • Caio Hostilio disse:

          Debater sobre educação é para conhece educação em sua essência. Diante das tuas colocações, observa-se que você soube captar bem o título. A culpa de tudo é um só!!!! Quanto você souber debater sobre educação, aí sim podemos entrar num debate salutar.

  3. Quinto Fernando Antunes disse:

    para resolver o problema da educação serão necessários pelo menos 20 anos, antes disso é ilusão.
    Primeiro, investir em qualificação, melhoria salarial e cobrança dos professores,
    Segundo, aumentar a quantidade de professores no ensino fundamental menor (pois, ai surge o problema, em uma escola particular de qualidade, normalmente, são 10 a 15 alunos por turma, além de ter um professor e um auxiliar), existe uma cobrança pela participação dos pais na educação do filho.
    sem fazer o que está sugerido no item anterior, nada adianta, pois, é neste momento em que a criança é alfabetizada e, caso isso não ocorra no momento certo todo o resto estará perdido.
    Todo o reflexo que temos hoje nas turma de ensino fundamental maior, ensino médio, ENEM, ensino superior é consequência da situação que vive o ensino fundamental menor.

    e depois de tudo insisto no primeiro ponto, sem uma remuneração adequada, a educação sempre irá atrair o piores alunos, pois, hj os aluno mais bem preparados querem seguir carreiras que lhes proporcionem uma boa qualidade de vida.

    simples assim,
    ah!, mas, para isso os políticos de hj devem pensar em ter seus filhos ligados à outros setores da sociedade, pois, é certo que nenhum deles serão reeleitos.

    • Caio Hostilio disse:

      Faltou você apenas falar sobre a definição de uma linha pedagógica, coisa que não existe e isso vem dificultando o ensino/aprendizagem.

      • Quinto Fernando Antunes disse:

        o que falta em relação à pedagogia é a volta do respeito, que deverá ser mútuo entre alunos e professores….veja o exemplo das escolas militares, que normalmente sempre estão bem posicionadas em relação às outras escolas púlicas.
        certamente deve haver uma definição de uma linha pedagógica, mas, aí seria uma discussão pesada entre os pedagogos, cada um querendo impor o seu ponto de vista.

        abraço

        • Caio Hostilio disse:

          Nâo!!! Os liceus, a D. Pedro II e outras escolas tinham o questionamento crítico antes da lei 5692/71. É preciso resgatar a educação e deixar as aulas exposivitas e não dialogadas. As avaliações objetivas, ou seja, apenas com as respostas dos professores.

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