Isso é o reflexo das privatizações!!! Qualidade do emprego no Brasil ainda é ruim, apesar do desemprego em baixa

Publicado em   08/jul/2012
por  Caio Hostilio

JB

Alta rotatividade e a terceirização elevada contribuem para o fenômeno, diz economista

Os baixos índices de desemprego do Brasil, que vem batendo recordes desde o começo do ano, escondem uma realidade cruel do mercado empregador: a desproteção sofrida pelo trabalhador. Com leis frágeis e alta rotatividade, o mercado de trabalho brasileiro ainda é “de baixa qualidade”, afirma o economista José Dari Krein, do Centro de Estudos Sociais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Ceset/Unicamp). 

Um dos principais pontos levantados pelo especialista são as leis trabalhistas, consideradas “flexíveis demais”. O economista aponta que “no Brasil, pode-se demitir sem nenhuma justificativa, o que é impensável em países europeus, por exemplo”. O problema contribui para os altos níveis de rotatividade no país, afirma. Os últimos resultados disponíveis pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o nível chega a 53,8%. Isto significa que a cada 100 contratados, mais de 50 saem do emprego em menos de um ano.

“Os números mostram um sério problema que afeta o funcionamento do mercado de trabalho. E para os trabalhadores, representa insegurança”, diz o relatório. Krein acredita que é preciso uma mudança na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) para que as relações trabalhistas se tornem mais “fortes”.

Terceirização

A terceirização do mercado é apontada como determinante para precarização do trabalho. Um dos dados mais reveladores sobre o assunto é a média de remuneração oferecida por estas empresas, que é cerca de 600 reais a menos que a brasileira, segundo pesquisa da Associação Brasileiras das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem).

“Isto acontece porque estas empresas priorizam a contratação através da mão de obra menos qualificada, oferecendo baixa remuneração. Normalmente, os contratados também trabalham mais horas do que em outro tipo de empresa”, analisa Krein.

Com isso, a instabilidade do trabalhador é alta. Quando se analisa apenas estas empresas, por exemplo, o nível de rotatividade sobe para 63,6%. E o número não deverá diminuir: as terceirizadas já representam 23,9% da população empregada com carteira assinada no país, de acordo com a mesma pesquisa.  

Temporários

O Brasil é o terceiro maior contratante de trabalho temporário do mundo, com média diária de 965 mil contratos. A constatação é da Confederação Internacional de Trabalho Temporário e Terceirização (Ciett), entidade que congrega mais de 50 países e que anualmente divulga o estudo The agency work industry around the world.

Apesar de ser contemplado por uma legislação trabalhista específica, que iguala parcialmente os seus direitos com o dos empregados fixos, o alto índice de trabalhadores temporários ainda mostra um mercado instável, analisa Krein. “É importante nas épocas, por exemplo, de maior venda do comércio. Mas para a economia no geral, e para os trabalhadores, é muito instável”.

A nutricionista Carla Faedo atua como temporária em quatro empresas diferentes. Ela vê aspectos positivos nos empregos, mas afirma que os desafios também são grandes. “Fico cansada mentalmente, pois todo mês tenho que dar um jeito de pagar as contas”, afirma.

  Publicado em: Governo

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