O Maranhão é anárquico?

Publicado em   11/nov/2011
por  Caio Hostilio

Por mais que eu queira não xingar, tentar usar uma linguagem polida para um questionamento crítico… Porra!!! Eu não consigo!!! Cadê o Ministério Público que não cumpre com suas prerrogativas constitucionais? Cadê o IBAMA, que me parece gostar de ver a degradação ambiental? Cadê os órgãos de meio ambiente do Estado? Cadê a Assembléia Legislativa do Estado? As tais ONGs que lutam pela preservação do meio ambiente? São todos omissos? Podemos acreditar que a anarquia tomou conta?

Também pudera, meia dúzia de coronéis PM, num ato anárquico, aprontaram as maiores arbitrariedades contra as instituições constituídas e ainda ouvi de muitos que seria melhor deixar como estava, pois o tal coronel Ivaldo é brabo e que existe um acordo entre coronéis de que nenhum prende o outro. Ora bolas!!! Que história é essa de coronel brabo e acordo? Um comandante que perde o controle de sua tropa merece ser rebaixado a soldado raso…

Voltemos ao assunto meio ambiente. Por diversas vezes já denuncie a degradação ambiental feita em Vitória do Mearim, onde lagoas de água perenes foram aterradas e diversas palmeiras queimadas, além do desvio de um rio… Até hoje os “órgãos” calaram a boca… Seria porque o criminoso e um “coronel brabo” e esposo da prefeita atual? Começo a acreditar nisso!!!

Agora leiam abaixo mais uma degradação em Vitória do Mearim:

VOCÊ TERIA CORAGEM DE MANDAR MATAR UMA ÁRVORE CENTENÁRIA?

Alberto Costa

Agrônomo

É claro que não. Diante dos conhecimentos adquiridos e sabendo da importância que sempre teve a natureza para a nossa qualidade de vida, só numa situação extrema isso poderia ser determinado, qual seja: estar colocando em risco a vida de alguém ou o patrimônio público – o que não foi o caso – já que nenhum documento oficial foi emitido que ratificasse tal ignorância.

E foi com muita tristeza que nesta semana tomamos conhecimento da morte de um dos símbolos mais importantes do patrimônio natural de Vitória do Mearim. O Velho Oitizeiro da nossa velha praça da matriz veio abaixo na manhã do dia 05/07/2011 – terça-feira, surpreendido por uma motoserra empunhada por alguém que só obedecia às ordens superiores daqueles que também desconhecem o valor intangível que tinha aquele que, por mais de 100 anos, com sua oponente e exuberante beleza fez parte da vida da maioria dos vitorienses, protegendo-os do sol escaldante nas manhãs de setembro, fornecendo sombra e conforto que permitiam contemplar a apresentação da banda no coreto, bem como o passar do desfile escolar. Lembro-me do vento balançando os galhos, contendo numerosas folhas, que pareciam abraçar seus filhos naquele momento.

Foi reduzido a toras sem nenhuma comunicação prévia, sem nenhuma alegação plausível, sem nenhum amparo legal, pois nenhum estudo foi feito, nenhum especialista foi chamado para avaliar a verdadeira situação, nenhum laudo técnico foi emitido; nenhuma consulta popular foi feita, já que um principiante consegue ver coisas que escapam a um especialista; foi reduzido a toras na presença do Secretário Municipal de Meio Ambiente, sem que tivesse o direito de defesa, fato que nos remete ao tempo em que a lei não existia, tempo aquele que não se podia expressar sentimentos, tempo de desconhecimento e ignorância, onde a lei do mais forte imperava e qualquer manifestação era reprimida com açoites e chicotes; tempo esse em que talvez o nosso velho oitizeiro tenha surgido de uma polinização natural de sua querida mãe, virado fruto, amadurecido e para sua felicidade e posteriormente nossa, plantado por mãos que reprimiam tal comportamento e comungava por um futuro melhor. Qual foi o sentimento das filhas do Dr. Faray ao abrir as portas do velho casarão e presenciar a cena do velho oitizeiro no chão. Já não podiam fazer mais nada, nem elas nem ninguém; abraçar a árvore? Tomar a motoserra? O ato de ignorância já estava consumado; só restou tristeza e lamentação. O retorno à Brasília, cidade em que residem, não terá o brilho de outrora; as cenas foram registradas em diversas digitais e o repúdio só aumenta com a colocação das fotos e vídeos na internet.

Só o tempo nos dá o conhecimento que nenhuma escola é capaz; o respeito aos mais velhos sempre fez parte da cultura do vitoriense: obedecer aos pais, aos avós… Somos sabedores que com o passar do tempo, já não fazemos as corridas que fazíamos quando jovens; as pernas ou os braços já não respondem da maneira que queríamos; a respiração é mais compassada e condizente com a idade que temos… Mais isso não é motivo para desistirmos da vida e passar a desejar a morte, pois Deus nos diz “há tempo para tudo: nascer, crescer e morrer”; tudo determinado por Ele. Existe o tempo da chuva; o da seca; o do plantio e o da colheita; há o tempo do milho, da manga, da melancia, em Vitória existia, não existe mais, o tempo do oiti…

Por carregar, desde o seu nascimento, mais de um século, o nosso senescente oitizeiro já apresentava alguns sintomas típicos da sua idade. Um pão de “arapuá” havia se instalado num de seus galhos; algumas orquídeas podiam ser vistas naquele outro que se debruçava sentido à velha mangueira; e a circulação da seiva no xilema e floema (a seiva bruta e elaborada de toda planta circula pelos canais citados, respectivamente) já não era tão intensa no outro que apontava para o Banco que tem o nome da mais importante floresta do Mundo: Amazônia. Mais isso não era motivo para determinar a morte do velho oitizeiro. Só porque seu coração já não pulsa como antes e por não poder fazer determinada atividade que sua idade não mais permite, a morte não deve ser encarada como a solução. E para surpresa de todos, ao serem jogado no chão, os galhos do velho oitizeiro apresentava muita saúde, quem sabe, para mais um século de vida. Podemos ratificar, como agrônomo, que tanto os galhos como o tronco principal do oitizeiro não apresentava nenhum sintoma que justificasse sua morte, nenhum ataque de broca no âmago vermelho da velha arvore comprometia sua estrutura; que estivesse precisando somente de uma poda de reparo, uma diminuição dos galhos e tratamento com fungicidas, que em menos de seis meses novos brotos estariam rompendo a casca do velho oitizeiro, e renovando sua copa, até que Deus determinasse sua morte.

Mais quem determinou a morte do velho oitizeiro? Qual o motivo? Servir de lenha para alguma cerâmica? Qual o posicionamento do Partido Verde, que em Vitória do Mearim prefere o verde das latas de tinta e desrespeita o verdadeiro verde das florestas? Sinceramente, faltou respeito e sobrou ignorância. Essa pergunta ainda está sem resposta para a população vitoriense, que aguarda também o pronunciamento do Ministério público (já acionado), que dentre suas funções, é responsável pelo zelo do patrimônio natural. Só nos restou o sentimento de perda, revolta e principalmente o de que os mesmos sirvam de combustível para impedir que outros atos de desrespeito e ignorância com a natureza e os vitorienses venham a acontecer.

  Publicado em: Governo

4 Responses to O Maranhão é anárquico?

  1. Movimento Democrata Livre de São Luis, e outros disse:

    meu nobre caio. a desgraça ambietal e hidrica presente nas diversas regioes do maranhão, tem por culpados promotores de justiça, secretarias municipais e estadual de meio ambiente, ibama, icm-bio, tribunal de justiça estadual, camaras, assembleia legislativa, justamente pela falta de politicas publicas sérias sobre a questão, falta fiscalização e seriedade nos licenciamentos ambientais, falta probidade por parte dos gestores da questão ambiental e hidrica nos 217 municipios e estado como um todo. Há sim inumeras ONGs funcionando como laranjas de degradadores do meio ambiente e de recursos hidricos, porém em numero bem menor que Movimentos Sociais expondo para instituições internacionais o que acontece neste estado, igualmente diretamente para o gabinete da presidenta Dilma, que já determinou apuração e providencias da situação de desprezo, descompromisso e corrupção em relação a questão ambiental e hidrica aqui tratada.

  2. Antonio Lima disse:

    Lamentável tudo isso…

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